sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Novo De Novo


Meu irmão,

Eu pensei algumas vezes em te responder alguma coisa. Cheguei a digitar frases no celular, tinha torpedo à vista. Eu queria dizer sobre a emoção, contida e até confusa, de ser um tal compositor, que você, causando pasmaceira neste, forjou a partir de mim, que você inventou pegando minhas letras. Contida pois já ouvira antes, e ao vivo contigo é melhor que em qualquer estúdio. E confusa, já que o tempo passa e a gente mal se reconhece em algumas coisas que afirmou no passado. Seja como for, eu tenho CD, com encarte, que toca música, e são minhas, e suas, que você deu vida ao pôr acordes, e deu eternidade ao levá-las a um estúdio e gravá-las.

Eu precisava de algo maior no intuito de te explicar que meu caminho pra mensurar isso foi longo. Não bastaria dizer que gostei. Foi mais que um presente. Essas coisas tem um remelexo a mais. Fiquei saudoso, reflexivo, experimentei alguns raciocínios até mais elaborados, sérios, sobre as coisas que deixamos de falar, e tal, e coisa. Bom. Meus dedos não evoluem e ainda perdem pra pestana, o violão é tão intocável quanto a musa que mora no 540, ainda. Escrever, ainda que sem reforma ortográfica e com inspiração altamente duvidosa, eu sei. Posso fazer um blog, mas não gravar um CD. Tudojuntices. Eu tenho músicas gravadas. Como foram? Bom, eu tinha um blog, e nesse blog eu colocava textos e poesias, foi meu primo, que sabe fazer música, que teve a presença de espírito de musicar algumas coisas. E este blog, onde está? Ah, ele parou. Porque? Porque talvez fosse a hora, naturalmente parou.

Eu te digo que é hora de voltar. O presente que você me deu, tão valioso, só existiu graças ao Monolito existir antes dele. Eu quero que volte, como um ato de semeio, e sabe lá o que vamos colher quando o tempo passar. Você topa? Sei lá com que regra, se com regra, de que tipo, com que forma, com qual publicidade, com que estilo, frequência, com quais parceiros, amigos, convidados, com que tipo de séries, divisões, enfim. Que ele tenha vida, o Monolito. O Novo Monolito, de novo.

É assim que resolvi agradecer seu presente. Era bom e vai voltar a ser. Te ler, te sentir mais perto, entender e confundir, me perder no coração que digita mais perto do meu, que é o seu.

O blog está aqui. As senhas, a gente troca depois do abraço.

Do seu irmão.