quinta-feira, 11 de julho de 2013

Refletindo as cartolizações



Às vezes a paz aparece. É como uma entidade. Ela simplesmente está ali. Não depende exatamente da gente. Depende de uma quantidade grande de fatores, entre os quais o saber-se quem é. Sim, saber-se quem é. Eu sou esse cara. Saber-se defeitos, qualidades, erros infantis, acertos perfeitos. Ter um amor, e saber, por um instante, que ele é forte, também ajuda.

Disse o Cartola, em canção que fez com Elton Medeiros:
“Um vazio se faz em meu peito
E de fato eu sinto em meu peito um vazio”

Pode ser que pensem que Cartola estava sendo redundante. Mas Cartola estava só sendo enfático. Quando você ama alguém, e está momentaneamente sem este amor, você sente esse tal vazio, que faz as coisas empalidecerem por um tempo. Se o tempo for suficiente, e sua mente for poderosa o bastante pra aguentar, pode ser que o tal tempo passe, e você já não sinta o vazio, consiga preencher o vazio com outras coisas, outros objetos, outras carícias, até. Sorte a sua.

Todavia, se o amor ainda está, e você consegue sentir o seu fluxo, indo e vindo em suas veias, e tudo parece bem, e o momento parece bom, te digo, nada pode ser melhor. Basta se deixar levar, mesmo que seja efêmero, mesmo que a dureza, e não o bálsamo, seja a regra. Viver o amor, até a última gota, até que não haja mais o que sorver. E quem sabe, de tanto sorver, talvez você acabe morrendo, velhinho, e ainda amando, e ainda vermelho de paixão, curioso, atento, ansioso, perplexo por fazer durar o que parecia tão finito.

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