As galinhas estão felizes. Antes do sol raiar já estavam de
pata, ciscando. Acordaram com fome, rasparam o tacho de ontem, e depois
começaram a procurar qualquer porcaria que tenha ficado no chão. As galinhas
ficam felizes sempre que podem comer e não tem ninguém querendo lhes cortar o
pescoço.
Os pintos acordaram tarde, e as galinhas foram lá, botar-lhes
embaixo de suas asas. As galinhas adoram cuidar dos pintos, isso as deixa
radiantes. No terreiro, nenhuma sombra de ameaça, apenas o sol luzindo,
deixando a terra quente. Elas adoram poder correr, voar o tanto que lhes é
cabido, e retornar ao poleiro.
No começo da manhã para o mundo dos homens, hora da quirera,
servida em grandes doses, galinhares. Elas se esbaldam, bicam umas às outras,
felizes como podem ser. Enchem o pequeno estômago de milho, e vão se
empoleirar. Os pintos ciscam mais um pouquinho.
À tarde voltam ao terreiro, prescrutam, curiosas, todo
aquele terreno, que é o mesmo que elas
percorrem todo dia. Passam pelos mesmos lugares de sempre, mordiscam pequenas
larvas, insetos variados, coloridos. Galinhas adoram cores. Quase sorriem com seus
bicos pequenos e firmes.
Já anoitecendo, fim de mais um dia, as galinhas vão dormir
com as galinhas. Se empoleiram, em poleiros sem lugar marcado. Vão dormir sem
saber que amanhã será igualzinho hoje. E quando acordarem serão igualmente
felizes.
Seus ovos serão mais gostosos. As galinhas estão felizes.
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